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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

“...Mais bonito é saber quem tu és”



Hoje, dia 12 de outubro é um dia de muita alegria, festejamos Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, Senhora da América Latina e nossa Mãe, a Jovem de Nazaré e Companheira da caminhada, Virgem dos Pobres, Mulher Escolhida para gerar o Filho de Deus em seu ventre.

Muitos são os títulos e nomes dados a Maria, a devoção e a fé que inspira-nos em Nossa Senhora é profunda e intensa, seus milhões de seguidores a colocam junto do povo, dos jovens, dos excluídos, junto do Povo de Deus que clama vida nos desertos do mundo de hoje. O poder de acolher, de ouvir e seguir o chamado Deus faz de Maria tão amada e respeitada por tanta gente, a sua verdadeira presença, inculturada na vida e no sofrimento de todos os seus filhos faz dela presença especial na nossa caminhada de povo de Deus que sonha construir a Civilização do Amor.

Essa presença de Mãe, acolhida junto de tanta gente faz com que sintamos a força do seu amor junto a vida que nasce dentro de nós a cada dia, o amor pelo Filho é modelo de seguimento e idealização ao seu projeto e a sua pessoa. Maria, mãe de tantos filhos, a juventude também te celebra em especial; Nossa Espiritualidade Mariana conclama a toda a sociedade das jovens que buscam e sonham o protagonismo feminino, esse é, por exemplo, o tema que nos mobiliza e alegra nestes dias próximos em que celebramos o Dia Nacional da Juventude.

Que o seu “sim” conclame como permanente modelo à nossa Juventude, seja na vida vocacional religiosa, leiga, seja na construção de cidadãos melhores e consagrados junto ao Teu Filho. Maria, caminhante que nos ensina a caminhar, nossa prece neste dia é que continue abençoando sempre os Teus Filhos, seja presença inspiradora no nosso caminhar, modelo de vida e doação por Jesus Cristo; Serva dos pobres, jovens e excluídos, que teu manto cubra nossas dores, que tua discrição nos modele a elevar Teu Filho, que tua jovem e decidida vocação continue a encantar tanta gente pelas causas do Evangelho.

Maria, rainha da Paz, Primeira Cristã, alegre e pulsante é nossa singela homenagem neste dia, consagrada e celebrada estás nas nossas comunidades, na vida do povo, no rezar e inspirar da Juventude, no modelo perfeito de fidelidade a Jesus Cristo; Querida Mãe, abençõe sempre nossos jovens e nossas famílias e faz-nos corajosos Filhos do Evangelho e do projeto de Teu Filho! Amém!


Fonte: http://arquidiocesedecampogrande.org.br/arq/noticias/artigos/6679-mais-bonito-e-saber-quem-tu-es-por-uilian-p-dalpiaz-.html

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fraternidade e Segurança Pública: Campanha da Fraternidade 2009



por Uilian Dalpiaz

Começamos a partir desta última quarta-feira(cinzas) a refletir oficialmente o tempo de Quaresma. Quaresma que é tempo de conversão: esperamos a redenção maior de Cristo Jesus que a após todo o seu martírio e dor, ressuscita e salva a toda a humanidade. E é nesse tempo de penitência, reflexão e conversão, que a Igreja do Brasil reflete e aprofunda-se especialmente em algum tema que necessite nossa atenção. A Campanha da Fraternidade vem incitando-nos desde a década de 60 a realmente nos convertermos e agirmos em prol das angústias e necessidades da sociedade brasileira.

A CF 2009 traz um tema bem peculiar aos nossos dias atuais: Segurança Pública. E não à toa a falta de segurança pública mexe com vários universos, várias questões, talvez algumas até antagônicas, mas que resultam numa grande "corrente negativa" que gera violência, miséria e opressão. "Fraternidade e Segurança Pública", esse nosso tema da CF 2009 quer chamar a atenção para a falta de cultura de paz em nossa sociedade, mas, sobretudo, para a falta de cultura da Justiça, pois como o lema da CF desse ano, bem ressalta "A paz é fruto da Justiça"(Is 32,17).

Lembremos que a justiça não nasce de olhares piedosos ou do maldito conformismo que, por horas, inunda nossos corações; a justiça se faz na prática do nosso dia-a-dia, nas nossas atitudes para mudar o que está posto, no nosso voto na hora de escolhermos nossos representantes(e principalmente na constante cobrança a eles, depois de eleitos), na busca de políticas públicas para a Juventude, na partilha, doação, atenção... são vários aspectos concretos que nos chamam a encarar a realidade e como verdadeiros cristãos a seguir e cumprir o Projeto de Jesus Cristo; não simplesmente fechar os olhos para a realidade, mas encará-la, pois sabemos é difícil a nossa escolha, mas quando respondemos ao chamado de Cristo, aceitamos: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me". (Mc 8,34).

Lembramos também de toda a miséria, o trabalho escravo que vitimiza principalmente crianças e jovens. Em 2007/2008 tivemos 8,6 mil casos de trabalho escravo no Brasil, segundo a CPT. E o que é mais triste, é que todos aqueles que combatem o trabalho escravo são reféns da sua luta por paz e justiça(são mais de 800 lideranças mortas só no estado do Pará) segundo dados também da CPT. Saibamos encarar a todas essas realidades que muitas vezes pensamos estar distantes de nós, mas que na verdade, acontecem embaixo de nossos olhos e não sei o porquê, não as enxergamos.

Nós jovens, estamos inseridos de modo especial também na CF 2009, basta lembrarmos que os jovens são as principais vítimas da violência, da falta de justiça e de oportunidades. O desamor, desafeto e falta de atenção em nossas casas, muitas vezes fazem dos jovens revoltados contra a tudo e todos, eles exprimem toda a sua energia e pureza de sentimentos: rejeição, angústia, depressão em atos muitas vezes que eles mesmos não têm consciência, pois a Juventude com caráter ainda em formação é alvo fácil diante à sua fragilidade frente a toda maldade que assola a humanidade. Saibamos centrar nossas energias para refletir acerca das várias injustiças que cometemos às nossas pseudo-óticas de muitas vezes explicitarmos nosso próprio conceito de "fazer justiça". Só Deus pode fazer justiça, e não à toa deu-nos seu filho, e que antes mesmo de nascer já era chamado: "O Príncipe da Paz".



Dicas aos Grupos de Jovens: A CNBB lançou junto as edições especiais sobre a CF 2009, um subsídio para ser usado nos encontros dos Grupos de Jovens, chama-se "Jovens na CF", e pode ser facilmente encontrado no site das edições CNBB ou na sua secretaria paroquial/diocesana.

Dicas de aprofundamento sobre a CF 2009:
Além de todos os subsídios da CNBB:
nesse link (clique aqui), a Revista Família Cristã traz reportagens sobre a CF na sua edição de fevereiro, bem como outros artigos facilmente encontrados no site da CNBB.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Infernópolis: o pecado de ser pobre

Ação da Polícia Militar de SP na segunda maior favela da cidade peca pela agressividade contra pobres e o direito de protestar, mistifica a origem dos confrontos e alimenta a idéia de "limpeza social".

Ação da Polícia Militar de SP na segunda maior favela da cidade peca pela agressividade contra pobres e o direito de protestar, mistifica a origem dos confrontos e alimenta a idéia de "limpeza social".

Na manifestação ocorreram quebradeiras provocadas por garotos que não têm muito a perder, mas não contavam com o apoio dos manifestantes e da Associação de Moradores. Quando se vive no limite, relegado a uma mobilidade restrita numa metrópole repleta de possibilidades, sem a presença efetiva de equipamentos públicos de qualidade, assombrado pela violência, pelo desemprego, miséria, álcool e rendimentos risíveis, a fronteira entre o legal e o ilegal é muito tênue. Não se trata simplesmente de "desvio de caráter", ou de vandalismo inconsequente como parte da imprensa e a própria SSP fez crer. Mas o teatro estava apenas no começo.

Paraisópolis é uma grande mancha urbana de pequenos casebres, alta densidade demográfica e com indicadores sociais perversos: apenas 0,45% dos jovens entre 18 e 24 anos estão no ensino superior. Em 1991 o índice era de 1,19%. Apenas 20% do mesmo grupo social estão no ensino médio (Moema tem percentual de 84%) e a baixa escolaridade colabora no desemprego: 1 em cada 4 adultos está sem trabalho. A renda média entre seus moradores é de R$ 367,00 ao passo que na cidade de São Paulo o valor chega a R$ 1.325,00. A degradação persistente da qualidade de vida destas pessoas desceu em profundidade abissal.

Ao seu redor encontramos situação inversa: cercada de edifícios majestosos, casas de alto padrão, com imensos terrenos gramados e arborizados, seguranças particulares e abastecidos de total infra-estrutura. Seus vizinhos gastam mais dinheiro num ano em manutenção das piscinas do que o Estado em educação a estes deserdados urbanos.

Cito esta contradição explícita na paisagem da geografia local para reforçar a idéia de que o convívio permanente entre os socialmente desiguais é sempre explosivo, apesar da repetitiva ladainha que o problema reside na personalidade das pessoas, que a delinqüência vem de berço e a violência está no sangue de alguns. Tolos, não percebem que este mesmo discurso embala as políticas de segurança pública há décadas sem solução definitiva.

Também não façamos coro com a tese dos "dois Brasis", pois as relações entre estes dois mundos são próximas. Trabalhar com o doméstica nestas residências é uma das principais fontes de empregos para as mulheres de Paraisópolis e o assistencialismo corre solto e evidencia sua incapacidade em apontar saídas: Kaká doou bolas, ONG´s distribuem alimentos e roupas, a BOVESPA montou uma Biblioteca, Colégio de classe alta da redondeza oferece bolsas de estudos, enfim, ações apoiadas em responsabilidade social que não dão conta de suprir a irresponsabilidade social dos governos constituídos.

Quando carros foram atacados, pneus queimados e comércios destruídos, num ato espontâneo de revolta contra uma realidade insuportável, a resposta foi o show da operação policial. Estar rodeado de ricos e, principalmente, muito próximos do Palácio do Governo de São Paulo, habitado e dirigido pelo Sr. José Serra, foi outro baita azar.

Na ótica do governo, era preciso agir e rápido. Primeiro, a desculpa padrão: a culpa é da própria população que protege os traficantes que atacaram a Polícia. Segundo, uma movimentação policial exemplar: desfile de viaturas pela Marginal do Rio Pinheiros mostrando que o Governador não tergiversa, age. Terceiro, a grande mídia entra em cena: como sempre criando cenários que levam a conclusão imediata de que a ação se justifica, e mortos e feridos são inevitáveis.

O mais irônico é que ocupar casas sem mandato de segurança virou rotina, matar jovens suspeitos, uma necessidade e, aterrorizar a população local, um aviso. Minha suspeita é que por detrás deste modus operandi, que se diga não é uma exclusividade de São Paulo, existe uma política mal disfarçada de redução das pressões populacionais por emprego e serviços públicos, que acomete principalmente crianças e adolescentes pelo Brasil afora. São grupos de extermínio institucionalizados e que comumente recebem aplausos de telespectadores confortavelmente instalados diante de seus televisores, e crentes de que o melhor foi feito.

Poderia haver o caminho do diálogo, sem dúvida nenhuma, houvesse interesse do Gabinete do Governador. O Cel. Ailton Araújo Brandão, comandante da ação em Paraisópolis tem, inclusive, folha corrida a este respeito. Ele foi um dos participantes daquela malfadada reunião ocorrida com a cúpula da Polícia Militar de SP e o PCC, em 2006, quando era Comandante da PM na ponta oeste do estado de São Paulo, justamente onde estavam presos os membros da cúpula da organização. Um ano depois recebeu o título de cidadão prudentino, com direito a almoço e placa da honraria pelos serviços prestados.

O Cel. Brandão apontou seu dedo para as novas tecnologias como culpada pelo sumiço de gravações contra a PM pela morte de 104 pessoas nos confrontos com o PCC. O gravador do 190 falhou e o backup automático também falhou.

Mas ele foi condecorado pela Assembléia Legislativa de São Paulo em setembro de 2007 como Comandante do Policiamento da Capital da Polícia Militar do Estado de São Paulo, junto com o Governador Serra. Recebeu importante medalha dos paulistanos, embora o povo de Paraisópolis possivelmente nem saiba que ela exista. Talvez por isso a raiva.

A PF também chegou ao referido Cel. através da Operação Santa Tereza. Em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo foi revelado um esquema de distribuição de ingressos para uma festa de peão no interior de São Paulo com artistas consagrados. O "mimo" era a contrapartida pelo oferecimento de segurança pública a um prostíbulo privado que lavava dinheiro do BNDES na capital. Vê-se, portanto, que o crime maior não está em Paraisópolis, mas em outros lugares e o Cel. sabe quais são.

A ação da polícia é a síntese de uma imbricada teia de interesses que passa pela definição, a priori, de que pobre em favela é culpado antes de mais nada, de que é preciso fazer alguma coisa contra a criminalidade e é na favela que o tráfico manda. Humilhar pessoas, revistando-as, invadindo suas casas, num show travestido de caça aos traficantes explicita mais do que uma prática condenável, mas um tratamento de choque para um problema social.

A ocupação da favela de Paraisópolis na cidade de São Paulo, neste começo de fevereiro, é emblemática sobre o papel do tucanato diante dos problemas sociais no estado de São Paulo. Para fazer justiça, o Demo Kassab também foi condecorado na Assembléia Legislativa num ambiente agradável e de confraternização.

Pena que enquanto alguns desfrutam deste conto de fadas com dinheiro público outros vivem num inferno constante e são condenados ao castigo da morte lenta e silenciosa. Mesmo vivendo na "cidade do paraíso".

Ricardo Alvarez
Professor e editor do Blog Controvérsia

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Espiritualidade da PJ



Nossa espiritualidade


Espiritualidade
A espiritualidade é o que nos alimenta e nos dá vida. É o sopro de Deus que age em nosso ser. Todos nós temos já pela escolha de Deus um espírito que nos anima. Essa espiritualidade necessita ser alimentada no dia-a-dia e no contato íntimo com Deus através da palavra, que nos leva a se comprometer com o outro e a outra, com a comunidade e com a transformação de tudo que é contrário ao que Deus quer. Por isso dizemos que a espiritualidade da Pastoral da Juventude é:

Cristocêntrica – centrada em Jesus, amigo companheiro de caminhada.

Mariana – Maria se compromete com o projeto de Deus. É exemplo de fidelidade, disponibilidade, entrega.

Comunitária e eclesial – pois é no grupo e comunidade na que o jovem se identifica, partilha suas experiências e sonhos.

Leiga e Missionária – a presença do espírito nos grupos e comunidades instiga o jovem a servir os outros e a descobrir sua vocação missionária.

Encarnada e libertadora – O filho de Deus se encarna na realidade humana. Tem uma ligação de fé e vida. Tal presença é ativa e efetiva lutando pela libertação.

Orante – valoriza os momentos de oração pessoal e comunitária. A liturgia e as celebrações expressam a espiritualidade que nos alimenta e anima.

Celebrativa – a alegria da juventude manifesta-se na celebração da vida e do Espírito como festa inspirada na vitória pascal. A realização de encontros, festas, liturgia, caminhadas... são momentos de viver o Deus-felicidade que nos anima e revigora para a ação concreta.

A Teologia da Libertação é a nossa referência com a fundamentação da fé e o compromisso de luta e pé no chão. Nossa opção é de uma espiritualidade da libertação e da opção da Igreja pelos pobres. Podemos dizer então que a espiritualidade das Pastorais da Juventude é uma espiritualidade da alegria e anúncio de Jesus da vida, com a cara e o jeito da juventude.
Por isso necessitamos investir na nossa formação espiritual, participando e realizando momentos de estudo da palavra, Escolas Bíblicas e Litúrgicas e conhecimento do Ofício Divino das Comunidades e da Leitura Orante, para cultivar uma espiritualidade inculturada e ecumênica.

Espiritualidade e Mística - Construídas na auto-avaliação da PJ no seminário nacional da PJB em julho 2003
Falta a compreensão de qual é a mística da PJ; é necessário reafirmar nossa Espiritualidade Cristocêntrica e Mariana, encarnada na realidade de comunhão e participação; (Ajuda a entender que esse jeito se dá na prática. Não só entender mas ajudar a ver que nossa espiritualidade e mística são propostas que perpassam nossa vida e nosso cotidiano); Como fazer chegar à base os instrumentos pelos quais fazemos opção? Falta motivar para a criação de novos cantos e instrumentos e, também, fazer conhecer os existentes; Trabalhar uma fé que sustente para a luta; Ter clareza dos ritos (conhecer, entender e saber); Falta formação para espiritualidade; Falta um “lema”, um eixo comum. Uma “marca” da espiritualidade da PJ; Estabelecer mais parcerias (CEBs, Rede Celebra...) para proporcionar Escolas Bíblicas, Litúrgicas, Ofício Divino das Comunidades, Leitura Orante da Bíblica... A PJ deveria ter um CD de cantos, Ofícios, mantras... Estabelecer um “projeto” de espiritualidade nos moldes do SINM. Estudar Jesus a partir de indicativos relacionados por ano; Ter instrumentos com menos custos (ou grátis) e que cheguem; Que o próprio Jornal Juventude seja instrumento dessa ação, de forma sistemática e não com matérias.

Eclesialidade
Somos desafiados (as) a viver dentro da Macro-Igreja Hierárquica. Mas com resistência. Enfrentamos e fazemos acontecer. Muitas vezes reproduzimos o Poder da Hierarquia da Igreja em nossa organização. Questionamento: Dentro da Igreja nossa prática é coletiva?

Dimensão Política
O ANALFABETO POLÍTICO
"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política... Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais".
(Bertold Brecht)

A Pastoral da Juventude exerce o papel fundamental de: Fomentar nos jovens senso crítico e capacidade de analisar a realidade cultural e social do mundo onde vivem. Formar os jovens na Doutrina Social da Igreja e nas ciências humanas para transformar a estrutura. Ajudar o jovem a integrar sua dimensão de fé com o compromisso sóciopolítico.

Levar o jovem a conhecer o Marxismo, o Capitalismo Liberal, a Doutrina da Segurança Nacional, para que possa dar respostas adequadas a estas ideologias a partir do Humanismo Cristão e discernir, nos sinais dos tempos, os que são enganadores e ilusórios.
No engajamento sóciopolítico a PJ precisa trabalhar ao mesmo tempo pela conversão dos corações e pela melhoria das estruturas.

Os Meios de Comunicação modernos muitas vezes são utilizados por determinados grupos para infiltrar nos jovens ideologias e práticas anti-comunitárias. É necessário, portanto, formar o senso crítico da juventude diante das mensagens transmitidas pela imprensa, rádio, cinema e televisão. O desenvolvimento do senso crítico deveria ser uma preocupação da Pastoral da Juventude.
Finalmente, deve-se insistir na formação moral dos jovens, formação pessoal, social e política, fundamentada nos valores do Reino. Ela deve impulsionar os jovens e adolescentes a uma honestidade de princípios que dê primazia ao social face aos interesses individuais, que leve à opção pelo compromisso político e à consciência de cidadania inspirados na Fé. (Pastoral da Juventude do Brasil. Documentos da CNBB - 44)

"A discussão política, para ser conseqüente, exige o conhecimento mínimo de conceitos básicos, que forma o "politiquês" no Brasil. A politização do jovem, necessária para transformá-lo em cidadão consciente e participativo, exige certa familiaridade com a cultura e a história". (Juventude Consciente - Xico Graziano - 2002, Editora Pontes)

A Pastoral da Juventude é herdeira de uma história que vem sendo construída em nosso país desde 1930 com a chamada Ação Católica.
A Pastoral da Juventude do Brasil mantém uma estrutura que parte dos grupos de jovens articulados em coordenações nos diversos níveis e ambientes.
“Só uma Juventude organizada, será uma juventude forte”. (PUEBLA, 1185/1188)


Fonte: PJ Maringá-PR
http://www.pjmaringa.com.br/v9/index.php?option=com_content&view=article&id=66:nossa-espiritualidade&catid=21:historia&Itemid=45

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A campanha eleitoral de 2010 está no ar

DEBATE ABERTO

Diante do atual silêncio da Globo em relação à pesquisa CNT/Sensus recomendo aos interessados em analisar a cobertura das eleições de 2010 pelo Jornal Nacional, que comecem a trabalhar desde agora. Material, pelo visto, é que não vai faltar.

Começou a campanha eleitoral para 2010 na TV. E a Globo, como sempre, saiu na frente. Na semana passada, o Jornal Nacional e o Jornal da Globo ignoraram solenemente a pesquisa CNT/Sensus onde Lula aparece com 84% de aprovação, um recorde histórico. Mas claro, isso não é notícia pelos critérios jornalísticos globais. Muito menos o fato da ministra Dilma Roussef ter alcançado, pela primeira vez, a casa dos dois dígitos na pesquisa de intenção de votos para a presidência. E será assim até as eleições. O que não é nenhuma novidade. Pode-se criticar a Globo por vários motivos, menos pela falta de coerência.

Desde a última ditadura, para não termos que voltar muito na história, ela sempre esteve do mesmo lado: elitista, entreguista, conservador. Apoio aos golpistas e ao regime militar, tentativa de fraudar a vitória de Leonel Brizola ao governo do Rio em 1982, boicote às diretas-já, criação da candidatura Collor, edição fraudulenta do debate entre ele e Lula em 1989, destituição de Collor e apoio a Fernando Henrique, Serra e Alckmin nas eleições seguintes.

Sobre os primeiros casos citados, muito já se escreveu mas, como eles mesmo dizem, vale a pena ver de novo. Pelo menos alguns deles.

Por exemplo, assisti - com estes olhos que a terra... - ao Jornal Nacional de 25 de janeiro de 1984, dia do comício das Diretas Já, com cerca de 300 mil pessoas na Praça da Sé, em São Paulo, noticiado como uma festa pelo aniversário da cidade. Isso foi dito na abertura da matéria lida pelo apresentador no estúdio (na "cabeça", segundo o jargão do telejornalismo). Texto nunca mostrado pelos atuais funcionários da empresa, encarregados da revisão histórica do período, nas inúteis tentativas de negar o fato.

Ouvi, com estes ouvidos que terão o mesmo destino dos olhos, uma longa entrevista (mais de 15 minutos) na rádio Globo, em 1988, com o então desconhecido governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo. Ele era apresentado ao País como o "caçador de marajás", assim chamados os funcionários públicos alagoanos detentores dos salários mais altos. Na mesma época, o Globo Repórter dedicava uma edição inteira ao mesmo tema. Começava então uma campanha eleitoral que teria seu ponto alto na edição caprichada do debate Collor-Lula, apresentada no Jornal Nacional, na véspera da eleição. A ordem do dono da empresa era taxativa: mostrar todas as intervenções positivas do seu candidato e tudo de ruim que ocorreu com o adversário. A edição competente virou o jogo. Eleito, Collor caiu logo em desgraça nos altos escalões do Jardim Botânico. Até novela foi feita para derrubá-lo e nunca protestos de rua, como o dos "caras-pintadas", foram tão bem vistos pela emissora.

Já ouço alguém dizendo: "lá vem ele com as teorias conspiratórias de sempre". Não respondo. Prefiro passar a palavra a dona Lily Marinho, viúva do dono das Globos, ditas no lançamento do livro Roberto e Lily, em 2005 e revelada na coluna de Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo : "O Roberto colocou ele (Fernando Collor de Mello, na Presidência) e depois tirou. Durou pouco. Ele se enganou". Nada mais a acrescentar.

Só resta perguntar: e depois? Como se comportou o jornalismo da Globo, e particularmente o seu telejornal de maior audiência nas eleições seguintes?

Para os dois pleitos presidenciais mais recentes (2002 e 2006) está na praça um livro-documento: Telejornalismo e Poder nas Eleições Presidenciais (Summus Editorial, São Paulo, 2008), de Flora Neves, professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina. Trabalho meticuloso, combinando uma exaustiva coleta de material (a gravação de 199 edições do Jornal Nacional) com uma sofisticada análise dos dados. Cuidados que levam a resultados indiscutíveis, excludentes de qualquer tipo de "achismo". Mostram como o principal telejornal do país manipulou a cobertura daquelas duas eleições contrariando até muitos teóricos e críticos da comunicação que chegaram a comemorar a imparcialidade da Globo nessas coberturas, opinião claramente desmentida pela pesquisa.

Vamos a alguns dados publicados no livro. Em 2002, no segundo turno, 66.66% das matérias eram favoráveis a Serra e apenas 20,0% a Lula. A autora conclui que, nesse período, "a cobertura se manteve na agenda dos candidatos, procurando pontuar o mesmo número de falas de Lula e Serra, mas com momentos ruins de Lula e momentos bons de Serra", mantendo a linha editorial iniciada na edição do debate Lula-Collor, acima mencionado.

Mas naquele ano Lula não foi o único alvo do Jornal Nacional. A pesquisa mostra como o noticiário da Globo se esforçou para derrubar a candidatura Ciro Gomes que ameaçava ir para o segundo turno, tirando José Serra da disputa. "O candidato do PPS recebeu valências (valoração dada às matérias: positiva, negativa e neutra) negativas durante quase todo o período da cobertura, destacando-se como homem truculento, de pavio curto, que fala o que pensa e só sabe criticar, além de estar envolvido com políticos corruptos", diz a autora.

Em 2006, chama atenção o quadro de valências referente às edições do Jornal Nacional veiculadas entre o início no horário eleitoral obrigatório no rádio e na TV e o primeiro turno das eleições. Vejam os percentuais de matérias positivas relativas aos principais candidatos:

Alckmin 68,57%; Cristovam 52,94%; Heloisa Helena 61,76% e Lula 16,43%.

É preciso dizer mais alguma coisa? São números que explicam a ida de Alckmin para o segundo turno e nos quais se insere a cobertura do famoso dossiê anti-petista, explorado à larga pelo Jornal Nacional.

Episódio também tratado no livro. Apesar do empenho, a Globo perdeu as
duas eleições, mas mantêm-se fiel aos seus princípios. Mostra com grande antecedência que estará firme na próxima campanha presidencial, sempre do mesmo lado.

As gravações analisadas pela professora Flora Neves em 2002 e 2006
começaram a ser feitas no período que antecedeu as pré-convenções partidárias, já em pleno ano eleitoral. Diante do atual silêncio da Globo em relação à pesquisa CNT/Sensus recomendo aos interessados em analisar a cobertura das eleições de 2010 pelo Jornal Nacional, que comecem a trabalhar desde agora. Material, pelo visto, é que não vai faltar.


Laurindo Lalo Leal Filho*, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP e da Faculdade Cásper Líbero. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4147

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Quem é o maior?

No mundo em que vivemos existe, em todos os setores da vida, uma luta em buscar ser maior, mais importante. O filho mais velho quer atrair as mais atenções do que os filhos mais novos e vice-versa. Assim, nas empresas onde existe cargos e salários, a tendência natural é buscar ser maior. Então o desafio, hoje, está na pergunta: como encontrar lugar nesta sociedade competitiva? Como ser feliz naquilo que somos capazes de fazer? Como ser gente realizada sem perder a cabeça e entrar por becos sem saídas? Certamente os critérios para julgar e decidir não vem apenas da capacidade de produção. Não é aquilo que fazemos que nos realiza, e sim, o como e o porque fazemos.

Recordo aqui um dos mais valiosos conceitos de felicidade que o Mestre dos Mestres deixou no evangelho. “Houve ainda uma grande discussão entre eles sobre qual deles devia ser considerado o maior. Jesus porém, lhes disse: Os reis das nações dominam sobre elas, e os que exercem o poder se fazem chamar benfeitores. Entre vós, não deve ser assim. Pelo contrário, o maior entre vós seja como o mais novo, e o que manda, como quem está servindo. Afinal, quem é o maior: o que está à mesa ou o que está servindo? Não é aquele que esta à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,24-27).

No início de um novo ano, todas as empresas, organizações, instituições educativas, as prefeituras municipais com seus novos administradores, buscam adequar novos membros, sistematizar de forma mais adequada o seu quadro de funcionários. Enfim, tudo será programado para o melhor e mais produtivo. Assim, são levados em conta as capacidades, dons e talentos que são observáveis... Em meio a este vai e vem, uma preocupação natural é a pergunta: Quanto vou receber? Qual será o salário? Ninguém vive do vento, como também ninguém vive sem fazer nada. Porém, por mais que ganhe, por mais justo que seja o salário, nunca posso esquecer de que estou prestando um serviço à alguém.

No meu trabalho é um serviço que estou prestando para o bem do outro, que independe do que ganho como recompensa. Aquilo que faço, faço bem para beneficiar alguém que lá na frente vai desfrutar do meu trabalho. Na busca de realização pessoal, nunca deve faltar a consciência de que sou um servidor, cuja vida quero viver para o bem do outro naquilo que faço. Isso parece pouco, porém aquele “que é fiel no pouco também será fiel no muito”. “Quem é fiel nas pequenas coisas vai ser fiel também nas grandes”. Trabalhar somente por aquilo que ganhamos, por mais que possa ganhar, nunca será suficiente para preencher o porque existimos. Na medida que sou capaz de dar a vida pelo bem comum e fazer os outros felizes, encontro sentido e razão para viver. A vida e o meu trabalho não têm valor econômico, ninguém pode pagar o que ganhei de Deus.

Por isso somos feitos e existimos; para colocar em comum os talentos que ganhamos de graça. Não importa o cargo, a função, o lugar de honra que posso conquistar na vida. Não importa o que faço e sim o como e o porque faço. A pergunta fica gravada na mente e no coração: “Quem é o maior?” No fim da vida vamos levar muitas surpresas, veremos muitos últimos ocupando os primeiros lugares no Reino do Céu e muitos primeiros, quem sabe, sem nenhum lugar...

Dom Anuar Battisti, arcebispo de Maringá-PR

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

FSM 2009

Fórum Social Mundial 2009

por Frei Betto

Adital -
Belém, PA, abrigará, de 27 de janeiro e 1º de fevereiro, a nova edição do Fórum Social Mundial (FSM). São esperados cerca de 120 mil participantes. Três grandes temas deverão dominar os debates: a preservação ambiental, sobretudo por ter como cenário a Amazônia, onde o desmatamento e a emissão de gás carbônico têm crescido; a crise do capitalismo globalizado; a guerra no Oriente Médio.

Entidades participantes convidaram os presidentes do Brasil, da Venezuela, do Equador, da Bolívia e do Paraguai. Se comparecerem, será em caráter pessoal.

Reza a Carta de Princípios do FSM que se trata de um evento destinado aos movimentos da sociedade civil contrários ao neoliberalismo e a qualquer forma de imperialismo, e comprometidos com a construção de uma sociedade planetária orientada a uma relação de sustentabilidade entre os seres humanos e a Terra.

Ao almejarem "o outro mundo possível", os participantes se empenham em conquistar uma globalização solidária que respeite os direitos humanos universais e o meio ambiente, apoiada em sistemas e instituições democráticas a serviço da justiça social, da igualdade e da soberania dos povos.

Tribuna livre e apartidária, não governamental nem confessional, o FSM não tem caráter deliberativo. Embora funcione como instância articuladora, não nutre a pretensão de ser um espaço de representatividade da sociedade civil mundial. Nele há plena diversidade de gêneros, etnias, culturas e gerações.

Espera-se que, do debate democrático no FSM, surjam propostas para resolver os problemas de exclusão e desigualdade social que o processo de globalização capitalista, com suas dimensões racistas, sexistas e destruidoras da natureza, impõe à maioria da humanidade.

As três primeiras edições do FSM -realizadas em Porto Alegre, em 2001, 2002 e 2003-, foram organizadas por um comitê integrado por oito entidades brasileiras: Abong, Attac, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Cives, CUT, Ibase, MST, e Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.

A quarta edição ocorreu em Mumbai (Índia), em janeiro de 2004. A quinta retornou à capital gaúcha, em janeiro de 2005, e funcionou à base de oito grupos de trabalho: Espaços, Economia Popular Solidária, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Cultura, Tradução, Comunicação, Mobilização e Software Livre.

O 6o FSM ocorreu, de forma descentralizada, em três cidades: Bamako (Mali, África), em janeiro de 2006; Caracas (Venezuela, América), também em janeiro do mesmo ano, e Karachi (Paquistão, Ásia), em março de 2006. A sétima edição do FSM teve como palco Nairóbi, no Quênia, em janeiro de 2007.

Os interessados em participar, à longa distância, do Fórum de Belém, devem acessar: http://openfsm.net/projects/fsm2009interconexoes. Para quem pretende ir a Belém: http://www.fsm2009amazonia.org.br/como-participar

No evento, o filósofo e cientista político Michael Lowy e eu abordaremos o tema "Ecossocialismo: espiritualidade e sustentabilidade", além de participarmos de outras atividades.



Fonte: http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36997

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A mobilização pelas lágrimas

O poder de agendamento da telenovela passa ao largo da politização
por Malu Fontes*

Dificilmente contesta-se a tese de que a idéia que o mundo tem dos Estados Unidos, da identidade dos norte-americanos e do american way of life é resultado da engrenagem cinematográfica hollywoodiana, que espalhou pelo planeta muito mais que filmes, divas e galãs. Exportou e produziu não apenas histórias telecontadas. Foi além: forjou, em todo o mundo, sonhos, modos de vida, fantasias e predominantemente caricaturas da história do imperialismo que representa. Foi fundamental para ensinar e difundir desde gestualidades sensuais, sexuais e narrativas amorosas a ideologias políticas e de consumo, passando pelo poder de dourar a supremacia do capitalismo.

Cada um tem a Hollywood que pode e, no Brasil pode-se dizer sem risco de errar que a telenovela está para a construção do imaginário nacional assim como o cinemão hollywoodiano está para a idéia que o mundo tem dos Estados Unidos da América. Não importa que os intelectuais e os mais letrados torçam o nariz para o produto, quase uma unanimidade negativa entre os bem formados nas melhores universidades do país. O fato é que, embora a telenovela brasileira seja vista sob uma aura de sinistrose pela intelligentsia, ela foi, é e continua a ser o produto de consumo cultural mais importante, democrático e acessível às massas do país. Chega, levando o mesmo texto, as mesmas tramas e narrativas estéticas, tanto às suítes nababescas dos condomínios de luxo quanto aos barracos de um cômodo só, que podem até não ter geladeira, mas têm um aparelho de TV e, não raro, nos rincões brasileiros, uma antena parabólica para garantir a boa recepção das imagens.

SEM LIVRO – O poeta e semiólogo Décio Pignatari já disse que a televisão brasileira teve um papel de alfabetizadora nacional para todo um contingente populacional que dos anos 60 para cá migrou, analfabeto ou com baixíssimo letramento, para os grandes centros urbanos. Essas pessoas, vindas de uma cultura essencialmente oral e restrita ao lugar onde habitavam, onde as trocas simbólicas tinham dimensões limitadas e o exercício da abstração era parcamente alimentado, de uma hora para outra, sem escalas, começam a apreender o mundo das cidades, as práticas, os hábitos e as aparências dos mais favorecidos através de uma espécie de manual televisual de urbanidade eletrônico, na tela da TV, sem antes terem passado pela cultura do livro.

Não precisa ir muito longe para imaginar os abismos simbólicos provocados por essa transposição armengada sobre o canyon cultural existente entre dois mundos, o rural e o urbano, o letrado e o iletrado, o mundo dos poucos muito ricos e dos muitos muito pobres. Ao olhar para a novela, embalada pela emotividade minuciosamente pensada previamente, toda uma miscelânea sócio-econômica começa a ver a mesma coisa, consumir os mesmos estímulos visuais e é assim até hoje. Em tempos em que a ditadura militar ajudou a estruturar um sistema de telecomunicações que proporcionasse a população uma idéia de integração e unidade nacional, a telenovela foi um instrumento perfeito, um achado. Um país se via na TV, com quase tudo homogeneizado, pois se tem algo que nunca funcionou na televisão brasileira foi a regionalização. Do Amazonas ao Rio Grande consome-se praticamente o mesmo caldo televisivo quase que totalmente produzido no eixo Rio-São Paulo.

PASSIONALIDE - Embora produzida no mesmo centro cultural e geográfico, a telenovela pauta o repertório e a subjetividade de um país inteiro. Muda comportamentos, emociona, produz ódios nacionais e mobiliza contingentes populacionais inimagináveis, de tal modo que todo ativista ou militante de uma causa social hoje sonha não com uma matéria em um telejornal nacional, mas com a inserção de sua causa em uma telenovela, com um autor que a adote e coloque-a nas falas e atitudes da mocinha da trama ou do galã. Uma personagem de novela, linda, loura, rica, jovem e carioca, como a Camila interpretada por Carolina Dieckman em Laços de Família, de Manoel Carlos, precisa de um transplante de Medula: imediatamente o país assiste a uma generosidade sem antecedentes de doadores que procuram bancos de medula país afora.

Diante de tamanho potencial de mobilização da telenovela, paradoxalmente chama atenção o fato de o produto agendar de tal modo o repertório, os costumes e o comportamento nacionais sem passar perto da politização dos temas que aborda. Ao contrário, é sempre acusada, com justiça, de despolitizar a audiência. Ao defender suas causas jamais o faz pelo viés ideológico ou sócio-político, mas tão somente pela emoção, pelo estímulo à parcialidade das lágrimas e pela identificação com fantasias românticas de folhetim. Uma explicação para que seja assim e mobilize tanto talvez esteja no fato de que, para além da língua, a passionalidade seja uma das raras coisas comuns a um povo de um país tão amplo, diverso e multifacetado. A outra é a velha e boa tese da alienação proposital denunciada pelos críticos como sendo a marca do veículo televisão.

Malu Fontes* é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA;