Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de junho de 2017

Ésse

se definir
e se limitar
é definhar-se

sábado, 10 de junho de 2017

Inação vã(i)

A cada mala que se desfaz
um hematoma a mais
se forma pela fôrma do tempo
se encontra avesso no âmago

A cada passo mais
se vê no espelho retrovisor
os gritos insanos em si
rasgados e cheios de rubor

A saudade aperta
a omissão ingrata
o silêncio se espaça

da injusta cor do baço
da inócua bravata falsa
do sublime feito enlace.

sábado, 22 de abril de 2017

Assobia

Assobia
em sua boca
sem saber de si
sem pudor
sem rubor

Assimila
em turvor
sentimentos
incultos
sentidos.

Assumia 
em timbre
sem 
saber
de si.

Alivia
em tom
monossilábico
o que não sabe
sentir.


domingo, 19 de março de 2017

Soneto 19


O que já versa opaco do tempo
é denso e instante silêncio
perdido entre tanto lamento
as próprias lacunas do tempo.

Sisudo e cálido se vai
as outras ondas que o tempo faz
os dias e as noites que em si fazem
memórias do que se vai.

Se vai para nunca mais,
se volta para sempre mais,
se vai, se volta, sê mais.

Sem volta, em volta se faz,
a todo tempo cruel destino
para sempre ou nunca mais.

terça-feira, 7 de março de 2017

Tom(b)ada de flores


Em caminho tom(b)ado de flores,
Há mais sonhos do que amores,
Há mais esperança em forma de prosa,
Há descrição litigiosa avessa a canção.
Há sempre mais e há que se ter razão.

Firma a luta em terreno ligeiro
Segura os passos, fita o horizonte
Segura o rubor, fita-o em amor
dos dias e do pleno límpido porvir
faz do sonho pleno cada instante.

Faz, não fá-lo-á só,
Em paz, constrói o mundo inteiro
Sonhos vívidos em manhãs
Passos tingidos do amanhã
Cores vivas em tom verdadeiro.

Sobre a tua sombra te dirão
E em teu repouso impávido clarão
Corrobora os gritos de outrora
Fitando-os em pronta hora
que o amor e a vida não cessam.

Os gritos não envelhecem
Os sonhos e a vida não fenecem
Apoiar-te-ei em meu colo
por sempre fortalecendo
sonhos de novo mundo. 

domingo, 5 de março de 2017

Enfeite


Regozija-te em versos
suave forma de amor
em que tudo expunha
o invólucro feitio da dor

é-se, fez-se, pôs-se
ser o que mais se foi
ter o que nunca teve
fazer o que sempre soube

foi pouco ou foi
por pouco que trouxe
tabus de tampouco
novidades feito louco
ao avesso de si mesmo

é-te, cabe-te, logo
translucida-te em traços
feito tons, presos, esmos
do que pôr, fora fez-te
findar trépido enfeite.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Foi de repente


Foi de repente
outra vez mais
vi-me face a face
comigo mesmo, contente

parecia o mesmo tom
o mesmo rubor frequente
ahh! mente que possa ser verdade?
outra vez? outra metade?!

E é nessa metade que fico
metade de mim foge
outra simplifica
quanta alegria ainda incontida
dolorida, abobida, nossa!
serei ainda o mesmo de
outrora?

Sim, o tempo voa, a noite passa,
o dia vem, e vai, e as horas?
para acreditar, imaginar de novo...
sim, ai ai, quero inconter-me,
quero perder-me sendo para achar
novo tom, verdadeira sonância

na canção da vida...

embalo-me em pensamentos,
fica o brilho, a todo momento
do teu sorriso que cintila,
todo único em pensamento
dia e noite, noite e dia

já não sei, já não há,
amanhã é domingo e espero
assim acordar
na alegre e mais pura e infinda canção que há
meio bobo e contente, assim, de repente.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Logo que te vi


Logo que te vi
foi por um instante
o brilho em meu rosto
forte se fez cintilante

Logo que te vi a calma se fez
e sabia que sempre era vez
tempo novo a se descobrir
o árido átrio a de novo florir.

Sementes de saudades
sinais de solução
soluços de vontades
sibilavam sensações

Logo que te vi
fez-se a vida mais vibrante
fez-se o tom mais forte
faz-se o tempo eterno instante

Logo que te vi foi por um triz
Estava, pois, tomado por inteiro
da tua paz e do teu charme
amor de sempre verdadeiro.

Logo que te vi
foi então para sempre mais
tomado de charme e canção
fez-se terna e eterna paz.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O que sobra da calma?
















O que sobra da calma?

Quando o céu não vem,
quando os pés não pisam,
quando as mãos não sentem
um mínimo sorriso,
o que sobra da calma?

Quando a vida se enrosca,
quando os olhos se encostam,
quando o que sobra é a margem
de toda uma vida,
o que sobra da calma?

Quando a paz já se encerra,
quando não se vê primavera,
quando tudo era quimera
flamejando pelo além,
o que sobra da calma?

Quando o verso já é pouco,
quando dispersa em sufoco,
quando mais te parece louco
a procura de alguém,
o que sobra da calma?

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Senhora Tua, Senhora Nossa


No seu manto
repousa e sonha
um mundo novo
de vida e encanto.
Segue na estrada e no rumo
marcha adentro, passo certo
dia-a-dia, um novo tempo
um destino incerto
Com mais trevas do que luz
com mais sonhos do que certezas
com mais sinas do que sinais
com mais tempos de tristezas
O manto esconde
o pranto some
o choro engole
o passo trava
de tanto em manto, passo forte
mais a vida do que a sorte
Sol, há primavera nos passos dados
com a benção, com o senso
a rima, a prosa e o jeito, o abraço
é feito de sonho, é feito de prece
é feito fogo que aquece
o candeeiro a iluminar.
é pra nunca mais se acabar
a esperança e toda espera
o soluço que sossega
com teu colo que embala
Todas as dúvidas e dores
do mundo se jazem
quando em teu manto repousa
trêmulo do tempo, fatigado da espera
Só em ti, afago possa
ter mais vida, seguir em frente
sublime e forte
Senhora tua, Senhora Nossa.
(Arte: Aurelio Fred)

domingo, 8 de abril de 2012

Ei-las, as mãos


Ei-las, as mãos,
despendidas em canção
com o apelo impulsivo do não!

Já não se estendem, já não consolam
não comovem, não abraçam.

Ei-las, sós, as mãos,
obtusas em retidão
esvairadas sem consolação.

São elas, as mãos,
sós, estupidamente sós.

São elas, só elas
que elevam em canção
jazem, findam, na absoluta solidão.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Da cor

Há uma cor que não vem nos dicionários. É essa indefinível cor que têm todos os retratos, os figurinos da última estação, a voz das velhas damas, os primeiros sapatos, certas tabuletas, certas ruazinhas laterais: a cor do tempo…

  (Mario Quintana in Sapato Florido, 1984, p. 90) 

domingo, 5 de junho de 2011

Incenso fosse música

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
 (Paulo Leminski in Distraídos Venceremos, 2002,  p. 93)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Razão de ser


Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
(Paulo Leminski in Distraídos Venceremos, 2002,  p. 80)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Feliz!



Deitado no alto do carro de feno… com os braços e as pernas abertos em X… e as nuvens, os vôos passando por cima… Por que estradas de abril viajei assim um dia? De que tempos, de que terras guardei essa antiga lembrança, que talvez seja a mais feliz das minhas falsas recordações?
(Mario Quintana in Sapato Florido, 1994,  p. 34)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Iceberg



Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Utopia



Quando o dia da paz renascer
Quando o Sol da esperança brilhar
Eu vou cantar
Quando o povo nas ruas sorrir
E a roseira de novo florir
Eu vou cantar
Quando as cercas cairem no chão
Quando as mesas se encherem de pão
Eu vou cantar
Quando os muros que cercam os jardins, destruídos
Então os jasmins vão perfurmar
Vai ser tão bonito se ouvir a canção
Cantada de novo
no olhar da gente a certeza do irmão
reinado do povo
Quando as armas da destruição
destruídas em cada nação
eu vou sonhar
E o decreto que encerra a opressão
assinado só no coração
vai triunfar
Quando a voz da verdade se ouvir
e a mentira não mais existir
será enfim
tempo novo de eterna justiça
sem mais ódio, sem sangue ou cobiça
vai ser assim
Vai ser tão bonito se ouvir a canção
Cantada de novo
no olhar da gente a certeza de irmãos
reinado do povo.
(Zé Vicente)

sábado, 23 de outubro de 2010

Memória














Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão


Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sôbolos rios que vão



Olha, eu talvez seja esse
cadáver desconhecido
que avistam sob uma ponte
com relativo interesse:

Nem sei mais se me matei
se morri por distraido
se me atiraram do cais

--- o mistério é mais profundo,
muito mais...

Vida, sonho de um segundo
---isso é vulgar mas atroz ---
e tenho pena de mim
como a que eu tenho de voz...

e sigo
todo florido
destes nossos velhos sonhos
imortais

---o misterioso tão sem fim ---

eu sigo todo florido
cadáver desconhecido
vogando, lento, à deriva
nos rios todos do mundo!


(Mario Quintana)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Monotonia



É segundo por segundo
Que vai o tempo medindo
Todas as coisas do mundo
Num só tic-tac, em suma,
Há tanta monotonia
Que até a felicidade,
Como goteira num balde,
Cansa, aborrece, enfastia...
E a própria dor - quem diria? -
A própria dor acostuma.
E vão se revezando, assim,
Dia e noite, sol e bruma...
E isto afinal não cansa?
Já não há gosto e desgosto
Quando é prevista a mudança.
Ai que vida!
Ainda bem que tudo acaba...
Ai que vida tão cumprida...
Se não houvesse a morte, Maria,
Eu me matava!

(Mario Quintana)