A cada mala que se desfaz
um hematoma a mais
se forma pela fôrma do tempo
se encontra avesso no âmago
A cada passo mais
se vê no espelho retrovisor
os gritos insanos em si
rasgados e cheios de rubor
A saudade aperta
a omissão ingrata
o silêncio se espaça
da injusta cor do baço
da inócua bravata falsa
do sublime feito enlace.
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sábado, 10 de junho de 2017
domingo, 19 de março de 2017
Soneto 19
O que já versa opaco do tempo
é denso e instante silêncio
perdido entre tanto lamento
as próprias lacunas do tempo.
Sisudo e cálido se vai
as outras ondas que o tempo faz
os dias e as noites que em si fazem
memórias do que se vai.
Se vai para nunca mais,
se volta para sempre mais,
se vai, se volta, sê mais.
Sem volta, em volta se faz,
a todo tempo cruel destino
para sempre ou nunca mais.
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