Confesso que durante o dia de hoje e até aos que antecederam-no fiquei inquieto e me perguntando a melhor forma de falar e refletir sobre este dia 8 de março. Por muito e sempre o silêncio é a melhor resposta e reflexão.
Também por muito e sempre, como educadores, é-nos pedagógico e salutar trazer presente e não emudecer em nossas ações, em especial, construindo e fazendo junto a partir da realidade, como já sinalizara uma pedagogia popular efetiva e afetiva. Assim a tento.
Lembrar e falar deste 8 de março é lembrar e falar das vozes ainda emudecidas e desaparecidas durante os tempos da ditadura, das mortes nas fábricas, da violência física e verbal, doméstica e genérica, impessoal e camuflada. É um pôr o olhar na história, mas também muito mais com os pés na realidade e no presente. O 8 de março pode simbolizar flores tomadas ou tombadas pelo caminho. Tomadas e lançadas na memória e na história dos que creem na vida. Este dia recobre em história, em memória, mas também recobre entre tantos outros gritos, por entre silêncios que gritam muito mais que palavras, estatísticas ou imagens. Recai e se recobrem por entre cenas e cores, que ecoam e pedem mais vida.
Mulheres que trazem vida plena, rebeldia, sinais e almas largas que não se fazem pequenas. Neste e em tantos dias muitas cantam, é o mesmo canto que ecoou outrora, ainda carregado de cor e ao mesmo tempo de esperança. Das bocas que não tremem e que seguem construindo horizontes, abrindo montes, fazendo sinal. É março, é dia 8, mas é também por todo e sempre.
Das memórias vivas, dentre tantas, fita-me o rosto de Olga, quando em vias da sua condenação e perseguição. Memória fixada e tocante, inquietante, quando lhe roubavam a toda e qualquer dignidade, porém com seus sonhos e com sua vida a seguir de cabeça erguida até o final. A memória se faz prece, oração, chora e reconhece, vive e se volta em silêncio. E em respeito e em sinal de luto - e luta - assim volta e permanece.
#8M #8deMarço
quarta-feira, 8 de março de 2017
terça-feira, 7 de março de 2017
Tom(b)ada de flores
Em caminho tom(b)ado de flores,
Há mais sonhos do que
amores,
Há mais esperança em forma
de prosa,
Há descrição litigiosa
avessa a canção.
Há sempre mais e há que se ter razão.
Firma a luta em terreno ligeiro
Segura os passos, fita o horizonte
Segura o rubor, fita-o em amor
dos dias e do pleno límpido porvir
faz do sonho pleno cada instante.
Faz, não fá-lo-á só,
Em paz, constrói o mundo inteiro
Sonhos vívidos em manhãs
Passos tingidos do amanhã
Cores vivas em tom verdadeiro.
Sobre a tua sombra te dirão
E em teu repouso impávido clarão
Corrobora os gritos de outrora
Fitando-os em pronta hora
que o amor e a vida não cessam.
Os gritos não envelhecem
Os sonhos e a vida não fenecem
Apoiar-te-ei em meu colo
por sempre fortalecendo
sonhos de novo mundo.
domingo, 5 de março de 2017
Enfeite
suave forma de amor
em que tudo expunha
o invólucro feitio da dor
é-se, fez-se, pôs-se
ser o que mais se foi
ter o que nunca teve
fazer o que sempre soube
foi pouco ou foi
por pouco que trouxe
tabus de tampouco
novidades feito louco
ao avesso de si mesmo
é-te, cabe-te, logo
translucida-te em traços
feito tons, presos, esmos
do que pôr, fora fez-te
findar trépido enfeite.
quinta-feira, 2 de março de 2017
Foi de repente
Foi de repente
outra vez mais
vi-me face a face
comigo mesmo, contente
parecia o mesmo tom
o mesmo rubor frequente
ahh! mente que possa ser verdade?
outra vez? outra metade?!
E é nessa metade que fico
metade de mim foge
outra simplifica
quanta alegria ainda incontida
dolorida, abobida, nossa!
serei ainda o mesmo de
outrora?
Sim, o tempo voa, a noite passa,
o dia vem, e vai, e as horas?
para acreditar, imaginar de novo...
sim, ai ai, quero inconter-me,
quero perder-me sendo para achar
novo tom, verdadeira sonância
na canção da vida...
embalo-me em pensamentos,
fica o brilho, a todo momento
do teu sorriso que cintila,
todo único em pensamento
dia e noite, noite e dia
já não sei, já não há,
amanhã é domingo e espero
assim acordar
na alegre e mais pura e infinda canção que há
meio bobo e contente, assim, de repente.
quarta-feira, 1 de março de 2017
Logo que te vi
Logo que te vi
foi por um instante
o brilho em meu rosto
forte se fez cintilante
Logo que te vi a calma se fez
e sabia que sempre era vez
tempo novo a se descobrir
o árido átrio a de novo florir.
Sementes de saudades
sinais de solução
soluços de vontades
sibilavam sensações
Logo que te vi
fez-se a vida mais vibrante
fez-se o tom mais forte
faz-se o tempo eterno instante
Logo que te vi foi por um triz
Estava, pois, tomado por inteiro
da tua paz e do teu charme
amor de sempre verdadeiro.
Logo que te vi
foi então para sempre mais
tomado de charme e canção
fez-se terna e eterna paz.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
O que sobra da calma?
O que sobra da calma?
Quando o céu não vem,
quando os pés não pisam,
quando as mãos não sentem
um mínimo sorriso,
o que sobra da calma?
Quando a vida se enrosca,
quando os olhos se encostam,
quando o que sobra é a margem
de toda uma vida,
o que sobra da calma?
Quando a paz já se encerra,
quando não se vê primavera,
quando tudo era quimera
flamejando pelo além,
o que sobra da calma?
Quando o verso já é pouco,
quando dispersa em sufoco,
quando mais te parece louco
a procura de alguém,
o que sobra da calma?
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Senhora Tua, Senhora Nossa
Segue na estrada e no rumo
marcha adentro, passo certo
dia-a-dia, um novo tempo
um destino incerto
marcha adentro, passo certo
dia-a-dia, um novo tempo
um destino incerto
Com mais trevas do que luz
com mais sonhos do que certezas
com mais sinas do que sinais
com mais tempos de tristezas
com mais sonhos do que certezas
com mais sinas do que sinais
com mais tempos de tristezas
O manto esconde
o pranto some
o choro engole
o passo trava
o pranto some
o choro engole
o passo trava
de tanto em manto, passo forte
mais a vida do que a sorte
Sol, há primavera nos passos dados
com a benção, com o senso
mais a vida do que a sorte
Sol, há primavera nos passos dados
com a benção, com o senso
a rima, a prosa e o jeito, o abraço
é feito de sonho, é feito de prece
é feito fogo que aquece
o candeeiro a iluminar.
é feito de sonho, é feito de prece
é feito fogo que aquece
o candeeiro a iluminar.
é pra nunca mais se acabar
a esperança e toda espera
o soluço que sossega
com teu colo que embala
a esperança e toda espera
o soluço que sossega
com teu colo que embala
Todas as dúvidas e dores
do mundo se jazem
quando em teu manto repousa
trêmulo do tempo, fatigado da espera
do mundo se jazem
quando em teu manto repousa
trêmulo do tempo, fatigado da espera
Só em ti, afago possa
ter mais vida, seguir em frente
sublime e forte
Senhora tua, Senhora Nossa.
ter mais vida, seguir em frente
sublime e forte
Senhora tua, Senhora Nossa.
(Arte: Aurelio Fred)
domingo, 8 de abril de 2012
Ei-las, as mãos
Ei-las, as mãos,
despendidas em canção
com o apelo impulsivo do não!
Já não se estendem, já não consolam
não comovem, não abraçam.
Ei-las, sós, as mãos,
obtusas em retidão
esvairadas sem consolação.
São elas, as mãos,
sós, estupidamente sós.
São elas, só elas
que elevam em canção
jazem, findam, na absoluta solidão.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
“...Mais bonito é saber quem tu és”
Hoje, dia 12 de outubro é um dia de muita alegria, festejamos Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, Senhora da América Latina e nossa Mãe, a Jovem de Nazaré e Companheira da caminhada, Virgem dos Pobres, Mulher Escolhida para gerar o Filho de Deus em seu ventre.
Muitos são os títulos e nomes dados a Maria, a devoção e a fé que inspira-nos em Nossa Senhora é profunda e intensa, seus milhões de seguidores a colocam junto do povo, dos jovens, dos excluídos, junto do Povo de Deus que clama vida nos desertos do mundo de hoje. O poder de acolher, de ouvir e seguir o chamado Deus faz de Maria tão amada e respeitada por tanta gente, a sua verdadeira presença, inculturada na vida e no sofrimento de todos os seus filhos faz dela presença especial na nossa caminhada de povo de Deus que sonha construir a Civilização do Amor.
Essa presença de Mãe, acolhida junto de tanta gente faz com que sintamos a força do seu amor junto a vida que nasce dentro de nós a cada dia, o amor pelo Filho é modelo de seguimento e idealização ao seu projeto e a sua pessoa. Maria, mãe de tantos filhos, a juventude também te celebra em especial; Nossa Espiritualidade Mariana conclama a toda a sociedade das jovens que buscam e sonham o protagonismo feminino, esse é, por exemplo, o tema que nos mobiliza e alegra nestes dias próximos em que celebramos o Dia Nacional da Juventude.
Que o seu “sim” conclame como permanente modelo à nossa Juventude, seja na vida vocacional religiosa, leiga, seja na construção de cidadãos melhores e consagrados junto ao Teu Filho. Maria, caminhante que nos ensina a caminhar, nossa prece neste dia é que continue abençoando sempre os Teus Filhos, seja presença inspiradora no nosso caminhar, modelo de vida e doação por Jesus Cristo; Serva dos pobres, jovens e excluídos, que teu manto cubra nossas dores, que tua discrição nos modele a elevar Teu Filho, que tua jovem e decidida vocação continue a encantar tanta gente pelas causas do Evangelho.
Maria, rainha da Paz, Primeira Cristã, alegre e pulsante é nossa singela homenagem neste dia, consagrada e celebrada estás nas nossas comunidades, na vida do povo, no rezar e inspirar da Juventude, no modelo perfeito de fidelidade a Jesus Cristo; Querida Mãe, abençõe sempre nossos jovens e nossas famílias e faz-nos corajosos Filhos do Evangelho e do projeto de Teu Filho! Amém!
Fonte: http://arquidiocesedecampogrande.org.br/arq/noticias/artigos/6679-mais-bonito-e-saber-quem-tu-es-por-uilian-p-dalpiaz-.html
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