domingo, 5 de dezembro de 2010

Converse (ou Cantiga de Ninar)



Converse com o vento
que voa com verso e
refrão que ressoa

Reavendo rimas
sem verso, estrofe
e sentido.

Ressoe, recicle
o reverso
previsto.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

XLII



E, foi com você que tive um novo amor
meu novo sabor de viver.
E, foi com você que aprendi a esquecer.

A vida passada, deixada, jogada no chão
no terreno repleto de coisas manchadas
no peito, na alma, e no coração.

Eu aprendi a prender teu apelo
no jeito, do medo, no escuro,
vazio de meu peito...

E é sempre tão vazio lá fora
Na estrada do mundo que passa
pra dentro do nada.

E o acaso que joga na história
Conquistas marcadas, vitórias
que não dizem mais nada.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

XLI



Cantar,
uma nova canção
Pra ressoar no teu ouvido baixinho.

Levar,
Todo verso que chega
Na rima imprevista que se suicida.

Chamar,
Toda chama que acende
uma vida, uma história comprida.

Querer,
Teu espaço no quarto tecido
Nas luzes que brilham sem parar.

Chegar,
No futuro presente que passa
No olhar de quem sonha demais.

Partir,
Como parte em pedaços a arte
Da estrada que se vai e não volta atrás.

domingo, 28 de novembro de 2010

Composição incerta


Antes que eu dissesse que era por amor
Você disse que não dava mais
Eu pensei que tudo fosse compaixão
Você disse que eu não era capaz.

Mas acontece que na vida sempre há
O bastante pra provar, [- o amor] nunca é demais
Tudo acaba e sempre volta pro lugar
E só pensar naquela nossa paz.

E você jogou fora, tudo o que eu comecei a pensar
E você, que logo foi embora, pra nunca mais voltar
Jogou fora todo o seu passado.
E o que se aventurou a procurar. [- e encontrou]

Quando você se puser a lembrar
Da lembrança que nunca se apagou
Tarde tempo, vida nova, sempre alcança
Recomeço novo sempre no mesmo lugar;

E as lembranças que ficaram na história
São demais para passar ao final,
Logo chega, vai, embora, corre, volta, pensa
Agora, é nunca mais.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Iceberg



Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Uma outra estação



fere de longe o verão
na insensatez da tua calma estação.

fere mais uma vez,
pelos dias da vida que se vão,

vão pela estação do trem da vida
cada não que se vai,

vai trazer novo sim no teu cais
novo barco atracado na espera,

espera que nada te traga novamente
a saudade que fere de longe o verão

da insensatez da tua calma estação
fere mais uma vez,

pelos dias que se vão,
vão pela estação do trem da vida

cada não que se vai,
vai trazer novo sim no teu cais

novo barco atracado na espera.
espera que nada te traga novamente

a saudade que fere de longe o verão
na insensatez da tua calma estação...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Amanhecer



Nas lutas travadas sozinhas ou em mutirão
Em cada pingo de suor que ficou pelo chão
Nas rosas e sonhos partidos ao meio
No vento que sobra em permanente anseio

No roda que gira pro olho do furacão
Por entre as feridas marcadas, nas mãos
Por meio meio dos sonhos jogados
Na força do novo dia com sangue manchado

Vai nascer uma nova canção
em verso e canto novo da revolução.

Braçadas e mortes em teus Brasis
Brasão de suporte a mãe tão gentil
Por trás do mundo um novo canto se faz
Vai levar a todo canto, nova canção de paz;

Por detrás dos teus tons novo canto de amor
Por entre teus lábios, palavras de força
Vai ganhar novo dia teu brilho em flor
Pra lembrar toda dor que não se cansa...

domingo, 7 de novembro de 2010

XL



Eu vi teu olhar
E o apresso do verso
Soando em canção.

Eu vi os lábios dela
Soprando entre as flores
E o jardim entreabrindo-se
Aos seus doces olhares.

Eu vi, a mais viva,
a mais bela canção
Quando ela chegou
E beijou suas mãos.

Eu vi traspassar
o teu lirismo novo
na bossa velha
do teu peito.

Eu vi o teu mundo
começar e acabar
em menos de um segundo,
pra sempre.

sábado, 6 de novembro de 2010

Recordando olhares



Soa canto novo, em cada nova descoberta,

Alinhavei-me em tuas cores.

crtl + D a poesia que vem cantar.