sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
O que sobra da calma?
O que sobra da calma?
Quando o céu não vem,
quando os pés não pisam,
quando as mãos não sentem
um mínimo sorriso,
o que sobra da calma?
Quando a vida se enrosca,
quando os olhos se encostam,
quando o que sobra é a margem
de toda uma vida,
o que sobra da calma?
Quando a paz já se encerra,
quando não se vê primavera,
quando tudo era quimera
flamejando pelo além,
o que sobra da calma?
Quando o verso já é pouco,
quando dispersa em sufoco,
quando mais te parece louco
a procura de alguém,
o que sobra da calma?
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Senhora Tua, Senhora Nossa
Segue na estrada e no rumo
marcha adentro, passo certo
dia-a-dia, um novo tempo
um destino incerto
marcha adentro, passo certo
dia-a-dia, um novo tempo
um destino incerto
Com mais trevas do que luz
com mais sonhos do que certezas
com mais sinas do que sinais
com mais tempos de tristezas
com mais sonhos do que certezas
com mais sinas do que sinais
com mais tempos de tristezas
O manto esconde
o pranto some
o choro engole
o passo trava
o pranto some
o choro engole
o passo trava
de tanto em manto, passo forte
mais a vida do que a sorte
Sol, há primavera nos passos dados
com a benção, com o senso
mais a vida do que a sorte
Sol, há primavera nos passos dados
com a benção, com o senso
a rima, a prosa e o jeito, o abraço
é feito de sonho, é feito de prece
é feito fogo que aquece
o candeeiro a iluminar.
é feito de sonho, é feito de prece
é feito fogo que aquece
o candeeiro a iluminar.
é pra nunca mais se acabar
a esperança e toda espera
o soluço que sossega
com teu colo que embala
a esperança e toda espera
o soluço que sossega
com teu colo que embala
Todas as dúvidas e dores
do mundo se jazem
quando em teu manto repousa
trêmulo do tempo, fatigado da espera
do mundo se jazem
quando em teu manto repousa
trêmulo do tempo, fatigado da espera
Só em ti, afago possa
ter mais vida, seguir em frente
sublime e forte
Senhora tua, Senhora Nossa.
ter mais vida, seguir em frente
sublime e forte
Senhora tua, Senhora Nossa.
(Arte: Aurelio Fred)
domingo, 8 de abril de 2012
Ei-las, as mãos
Ei-las, as mãos,
despendidas em canção
com o apelo impulsivo do não!
Já não se estendem, já não consolam
não comovem, não abraçam.
Ei-las, sós, as mãos,
obtusas em retidão
esvairadas sem consolação.
São elas, as mãos,
sós, estupidamente sós.
São elas, só elas
que elevam em canção
jazem, findam, na absoluta solidão.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
“...Mais bonito é saber quem tu és”
Hoje, dia 12 de outubro é um dia de muita alegria, festejamos Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, Senhora da América Latina e nossa Mãe, a Jovem de Nazaré e Companheira da caminhada, Virgem dos Pobres, Mulher Escolhida para gerar o Filho de Deus em seu ventre.
Muitos são os títulos e nomes dados a Maria, a devoção e a fé que inspira-nos em Nossa Senhora é profunda e intensa, seus milhões de seguidores a colocam junto do povo, dos jovens, dos excluídos, junto do Povo de Deus que clama vida nos desertos do mundo de hoje. O poder de acolher, de ouvir e seguir o chamado Deus faz de Maria tão amada e respeitada por tanta gente, a sua verdadeira presença, inculturada na vida e no sofrimento de todos os seus filhos faz dela presença especial na nossa caminhada de povo de Deus que sonha construir a Civilização do Amor.
Essa presença de Mãe, acolhida junto de tanta gente faz com que sintamos a força do seu amor junto a vida que nasce dentro de nós a cada dia, o amor pelo Filho é modelo de seguimento e idealização ao seu projeto e a sua pessoa. Maria, mãe de tantos filhos, a juventude também te celebra em especial; Nossa Espiritualidade Mariana conclama a toda a sociedade das jovens que buscam e sonham o protagonismo feminino, esse é, por exemplo, o tema que nos mobiliza e alegra nestes dias próximos em que celebramos o Dia Nacional da Juventude.
Que o seu “sim” conclame como permanente modelo à nossa Juventude, seja na vida vocacional religiosa, leiga, seja na construção de cidadãos melhores e consagrados junto ao Teu Filho. Maria, caminhante que nos ensina a caminhar, nossa prece neste dia é que continue abençoando sempre os Teus Filhos, seja presença inspiradora no nosso caminhar, modelo de vida e doação por Jesus Cristo; Serva dos pobres, jovens e excluídos, que teu manto cubra nossas dores, que tua discrição nos modele a elevar Teu Filho, que tua jovem e decidida vocação continue a encantar tanta gente pelas causas do Evangelho.
Maria, rainha da Paz, Primeira Cristã, alegre e pulsante é nossa singela homenagem neste dia, consagrada e celebrada estás nas nossas comunidades, na vida do povo, no rezar e inspirar da Juventude, no modelo perfeito de fidelidade a Jesus Cristo; Querida Mãe, abençõe sempre nossos jovens e nossas famílias e faz-nos corajosos Filhos do Evangelho e do projeto de Teu Filho! Amém!
Fonte: http://arquidiocesedecampogrande.org.br/arq/noticias/artigos/6679-mais-bonito-e-saber-quem-tu-es-por-uilian-p-dalpiaz-.html
sábado, 3 de setembro de 2011
Canção da viva cumplicidade
faz frio,
você ruboriza, eu rio,
faz sempre tanta sombra
de bem querer
em nossa história linear
de merecer
e tecer manhãs a partilhar.
É sempre empolgante,
te ver,
e sentir minha presença
em teus sentidos
tão vivos e aguçados
como a mais bela flor
a exalar seu veemente perfume.
doce, amor, relva, chuva, abraços
risos incontidos, alegria no olhar
tanta vida brota em nosso seio
no jeito apressado de caminhar.
tudo é tão vivo
e por isso vivemos a tentar
na singularidade da vida
novo sabor (in)tenso conquistar.
viagem, planos, voos, descobertas
jeito novo de sonhar, de fazer,
sonhamos lindos sonhos
há que se merecer
e fazermos lindas manhãs
a toda a vida, que viva, bem viva
sopra-nos lindas canções de amor
é tempo doce, é doce sonho,
é carinho especial
é a vida que mostra todo seu vigor.
de braços abertos e mãos dadas
colocamos nossos passos nessa estrada
lua nova, o tempo voa a cada dia
minha canção incerta vira alguma poesia,
tuas lindas ideias florescem
certezas que jamais fenecem
tempo de sempre ser
canções sublimes de bem querer.
é o tempo que adormece
quando juntos olhamos pra ele
vai saber quando o teremos
ou se seremos sempre reféns dele?
nessa linda ciranda,
a gente brinca de vai-e-vém
novos sonhos, rumos, vida nova
nesse nosso jeito de ser criança
tudo é vida, tudo em nosso peito
se renova.
já não sei onde encontraremos
lugar correto na estação
caminho aberto, inseguro
nas certezas de se entender
sempre tudo é tão intenso...
sem mais, estamos propensos
por sempre mais se merecer.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Da consciência
Peco por atos e omissões, culpas e desejos. Peco na tentativa de acertar e erro permanentemente pensando estar fazendo certo. Sim, peco e não vejo mal, não encontro mal em ser ou estar sendo sem saber, ou em ser e reinventar aquilo que já existe em outras palavras. Sendo assim, peco melhor, peco dando nova vida e tudo aquilo que dá nova vida encontra novo sentido em existir e essa é uma bonita missão: fazer com que tudo exista, que ganhe sentido.
Da iminente reflexão brota a dúvida: pecar por ou sem querer com ou sem saber, eis de toda iniciativa inocente sucede o perdão, sincero e verdadeiramente disposto a trazer nova forma de acertar, sem compromissos, desde o compromisso natural - e maior - seja de não pecar novamente, mas sim de encontrar o caminho que leve as maneiras e condutas de não mais errar.
Eis que das palavras brota a poesia das palavras de tantas, infinitas, poucas coisas ainda não foram ditas, o que sobra é a forma em que cada um de nós pode e cabe dizê-las. E eu digo. E digo mais de um jeito do que desejo e desejo mais do que posso dizer - a indizível arte - de transpor e ousar sem não mais pecar: eis o grande desafio que brota na poesia do vazio que se espera por encantar.
Eu peco permanentemente na forma robusta de dizer e na lírica externa sem saber e no texto compacto e na palavra e na dosagem do verso. Peco por querer, havendo culpa intencional em tamanho pecado, mas quem poderá julgar ao pecado que lava a alma e que engrandece? Peco sem olhar pra trás e até olhando pra ver, mas não e encontro... mas aí também é pecado?
Reflexões tolas ou não pecar por consciência, coincidência sei lá, pouco importa quando a grandeza da palavra ganha forma, se traduz das linhas uniformes para o âmago ser da essência de si, de cada um.... pouco importa nessa hora se o pecado é grave ou leve, se é mortal, capital ou real, pouco importa se traduz, reluz ou apaga; da consciência entre pecar e não pecar acabo rendido às palavras.
Da iminente reflexão brota a dúvida: pecar por ou sem querer com ou sem saber, eis de toda iniciativa inocente sucede o perdão, sincero e verdadeiramente disposto a trazer nova forma de acertar, sem compromissos, desde o compromisso natural - e maior - seja de não pecar novamente, mas sim de encontrar o caminho que leve as maneiras e condutas de não mais errar.
Eis que das palavras brota a poesia das palavras de tantas, infinitas, poucas coisas ainda não foram ditas, o que sobra é a forma em que cada um de nós pode e cabe dizê-las. E eu digo. E digo mais de um jeito do que desejo e desejo mais do que posso dizer - a indizível arte - de transpor e ousar sem não mais pecar: eis o grande desafio que brota na poesia do vazio que se espera por encantar.
Eu peco permanentemente na forma robusta de dizer e na lírica externa sem saber e no texto compacto e na palavra e na dosagem do verso. Peco por querer, havendo culpa intencional em tamanho pecado, mas quem poderá julgar ao pecado que lava a alma e que engrandece? Peco sem olhar pra trás e até olhando pra ver, mas não e encontro... mas aí também é pecado?
Reflexões tolas ou não pecar por consciência, coincidência sei lá, pouco importa quando a grandeza da palavra ganha forma, se traduz das linhas uniformes para o âmago ser da essência de si, de cada um.... pouco importa nessa hora se o pecado é grave ou leve, se é mortal, capital ou real, pouco importa se traduz, reluz ou apaga; da consciência entre pecar e não pecar acabo rendido às palavras.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Da leveza

Soprei algumas palavras ao vento
Na intenção de que me escutesSoletrei teu nome baixinho
Para que o vento te leves
Tão leve quanto o afago teu distante
Na distância frequente
Já pedi ao próprio vento
Que me leve nas suas ondas leves
Tão suave e brandamente a te afagar
Já sonhei em ser o próprio vento.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Da cor
Há uma cor que não vem nos dicionários. É essa indefinível cor que têm todos os retratos, os figurinos da última estação, a voz das velhas damas, os primeiros sapatos, certas tabuletas, certas ruazinhas laterais: a cor do tempo…
(Mario Quintana in Sapato Florido, 1984, p. 90)
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Da essência
Dir-te-ia que sou capaz de mudar
Sem nunca duvidar na constância
Da essência que permanece
Sempre viva!
Sem nunca duvidar na constância
Da essência que permanece
Sempre viva!
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